Sexta-feira, Agosto 06, 2010




Pular as pedras
e ouvir as palavras,
Desbravar no silêncio a madrugada
das estrelas que cadenciam os sonhos
em caixinhas de jóias,
Amanhecer no vento que dobra os carvalhos
e dissolve na boca o sabor da noite,
revelando entre assobios as saracuras que pavoneiam entre as hortaliças,
Na manhã ainda orvalhada, uma nuvem esconde-se no quintal...um beija-flor observa parado... uma borboleta anuncia na varanda a chegada do dia, numa alegria repleta de azuis,
O sol arremata com fios a paisagem das montanhas que agora vicejam num verde e dourado,
Ouço água e sinto o rio que corre em mim,
Amanheço então.

Terça-feira, Setembro 01, 2009

Céu de São Pedro


A borboleta pousada
ou é Deus
ou é nada

Adélia Prado

Domingo, Fevereiro 22, 2009

Mario Quintana (A Rua dos Cataventos)


Para Érico Veríssimo

O dia abriu seu pára-sol bordado
De nuvens e de verde ramaria.
E estava até um fumo, que subia,
Mi-nu-ci-o-sa-men-te desenhado.

Depois surgiu, no céu azul arqueado,
A Lua - a Lua! - em pleno meio-dia.
Na rua, um menininho que seguia
Parou, ficou a olhá-la admirado...

Pus meus sapatos na janela alta,
Sobre o rebordo... Céu é que lhes falta
Pra suportarem a existência rude!

E eles sonham, imóveis, deslumbrados,
Que são dois velhos barcos, encalhados
Sobre a margem tranqüila de um açude...



Segunda-feira, Novembro 24, 2008

Prêmio Dardos


Oi gente...o Retalhando recebeu a indicação do Prêmio Dardos do caríssimo Sérgio Luyz www.tramabacana.blogspot.com .
Agora terei de indicar somente 15 blogs para repassar o Prêmio...Infelizmente...
Pedirei que as pessoas indicadas sigam os seguintes passos:

1- Linkar o blogue cujo autor o indicou ao prêmio
2 - Eleger 15 blogues para o Prêmio Dardos e postar em seu blogues

Quinta-feira, Novembro 20, 2008


Recorta as árvores
Aplica no vento
Promove na lida as raízes e borda...
Ultrapassa o alvo
EngraVIDA
Insano acorde
Na harmonia que nunca finda
Vai...Avia...
No parapeito até a cotovia grita
A lua mingua o resquício do mundo
Que cabia ainda,
Na palma, no traço, no olho do laço,
Que alumiava como um sopro
As notas esculpidas numa pauta
Não paralela
E agora qual um bolo desandado
Em música e desatino
Fica apenas um suspiro
Do que nunca seria se não já o tivesse sido.

Sábado, Novembro 08, 2008

RODA


A saudade me coisa

O sossego na rede

Vem do vento

Pedaço de mar

Horizonte faz ponte

Pra serra ao longe

Atravessa-me um rio

No menino do seu olhar

Cantigas suspendem o tempo

No varal vejo claves

Na roda vôo aves

Brinco a girar

Mundo sem fim

Gigante a entoar

Ladainha da estrada

Vida passarinhada

Na manhã que me orvalha

E me abre em açucena

Pra te remeter em beijo

Cheiro da flor deste desejo

Verso, canto e prosa

E um desenho do céu

Bordado de alma

Com fios de rosa.

Terça-feira, Novembro 04, 2008

PHILOSOFIA (DE) BARATA

Maggie Taylor



Todo dia, tudo igual,
Tudo vida....nada mal,
Todo canto, um madrigal,
Todo precipício, um sinal,
Todo lamento, infernal,
Tudo suculento, floral
Tudo gato, animal,
Tudo mentira, "liberal",
Toda complacência, fraternal....
Toda a verdade embutida na corrida pela vida que não passa de uma realidade não única mas vivida e sentida que não impede de se ter diversas visões e conclusões que muitas vezes são estéreis mas que colaboram no empreendimento de um mergulho maior onde provavelmente e não pelo acaso podemos ter contato com o mais íntimo e doloroso e lancinante que de imediato não entendemos mas que é necessário para suturar muitas velhas e novas e futuras feridas principalmente aquelas que continuam gotejando e beliscando toda vez que nos levantamos para caminhar e isso tá ficando muito longo de forma que devido à complexidade do tema não vai encontrar um fim então por isso que se encerre em si mesmo por aqui e se você não tá satisfeito com nada quem sabe uma vírgula e uma profunda inspiração te satisfaça e ponto final em vez de reticências.